segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Há Momentos


Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.

Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.

Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana.

E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.

Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.

Para aqueles que se machucam.

Para aqueles que buscam e tentam sempre.

E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.

Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.

A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.



Clarice Lispector

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Casa arrumada...




Casa arrumada é assim:


Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.


Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.


Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...


Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...


Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.


Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.


Sofá sem mancha?


Tapete sem fio puxado?


Mesa sem marca de copo?


Tá na cara que é casa sem festa.


E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.


Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.


Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...


Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.


A que está sempre pronta pros amigos, filhos... Netos, pros vizinhos...


E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.


Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.



Arrume a sua casa todos os dias...


Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...E reconhecer nela o seu lugar.




Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Almas perfumadas...


Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.

De sol quando acorda.

De flor quando ri.


Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.


Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.


Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.


O tempo é outro.


E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.


De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.


Ao lado delas, a gente sabeque os anjos existem e que alguns são invisíveis.


Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.


Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.


Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.


Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.


Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.


Recebendo um buquê de carinhos.


Abraçando um filhote de urso panda.


Tocando com os olhos os olhos da paz.


Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença soprando nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.


Do brinquedo que a gente não largava.


Do acalanto que o silêncio canta.


De passeio no jardim.


Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.


Corre em outras veias.


Pulsa em outro lugar.


Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos, Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.


E a gente ri grande que nem menino arteiro.


Tem gente como você que nem percebe como tem a alma Perfumada!


E que esse perfume é dom de Deus.



Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mude

Mude.


Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.



Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.



Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.



Tome outros ônibus.



Mude por uns tempos o estilo das roupas.



Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.



Tire uma tarde inteira pra passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.



Veja o mundo de outras perspectivas.



Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.



Durma do outro lado da cama...depois, procure dormir em outras camas.



Assista a outros programas de TV, compre outros jornais... leia outros livros. Viva outros romances.



Não faça do hábito um estilo de vida.



Ame a novidade.



Durma mais tarde.



Durma mais cedo.



Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.



Corrija a postura.



Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.



Tente o novo todo dia,o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novojeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.



Tente.



Busque novos amigos.



Tente novos amores.



Faça novas relações.



Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outrapadaria.



Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.



Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental...tome banho em novos horários.



Use canetas de outras cores!



Vá passear em outros lugares.



Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.



Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escrevas outras poesias.



Jogue fora os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.



Abra conta em outro banco.



Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.



Mude.



Lembre-se que a vida é uma só.



E pense seriamente em arrumar um novo emprego,uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.



Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.



Seja criativo.



E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.



Experimente coisas novas.



Troque novamente.



Mude, de novo.



Experimente outra vez.



Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas.



Mas não é isso o que importa.



O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.



Só o que está morto não muda!!!






Pedro Bial






Talvez este texto fará pouco sentindo para alguns... Talvez terá pouco significado para outros...Mas o que importa é que em algum momento da vida de alguém ele será inspirador!!!



Já tentou mudar a sua rotina ou seu ritual diário apenas uma vez? Vale a pena... Ver com outros olhos...enxergar por outros ângulos, sentir outros cheiros, ouvir novas pessoas, músicas...Se maravilhar, se indignar...Mas SEMPRE...SEMPRE reinventar!






Lu



Boa leitura...e boa mudança também!!!

Palavras ao vento...




A primeira letra do alfabeto, é também a primeira letra da palavra amor e se acha importantíssima por isso!



Com A se escreve "arrependimento" que é uma inútil vontade depedir ao tempo para voltar atrás e com A se dá o tipo de tchau mais triste que existe: "Adeus"...

Ah, é com A que se faz"abracadabra", palavra que se diz capaz de transformar sapo em príncipe e vice-versa...
Com B se diz "belo" - que é tudo que faz os olhos pensarem ser coração; e se dá a "bênção", um sim que pretende dar sorte.
Com C, "calendário", que é onde moram os dias e o "carnaval"...Esta oportunidade praticamente obrigatória de ser feliz com data marcada.

"Civilizado" é quem já aprendeu a cantar ´parabéns pra você` e sabe o que é "contrato": "você isso, eu aquilo, com assinatura embaixo".
Com D , se chega à "dedução",o caminho entre o "se" e o"então"...

Com D começa "defeito", que é cada pedacinho que falta para se chegar à perfeição e se pede "desculpa", uma palavra que pretende ser beijo.
E tem o E de "efêmero", quando o eterno passa logo; de"escuridão", que é o resto da noite, se alguém recortar as estrelas; e "emoção", um tango que ainda não foi feito.

E tem também "eba!", uma forma de agradecimento muito utilizada por quem ganhou um pirulito, por exemplo...
F é para "fantasia", qualquer tipo de "já pensou se fosse assim?"; "fábula", uma história que poderia ter acontecido de verdade, se a verdade fosse um pouco mais maluca; e "fé", que é toda certeza que dispensa provas.
A sétima letra do alfabeto é G, que fica irritadíssima quando aconfundem com o J. G, de "grade", que serve para prender todo mundo - uns dentro, outros fora; G de "goleiro", alguém em quemse pode botar a culpa do gol; G de "gente": carne, osso, alma e sentimento, tudo isso ao mesmo tempo.
Depois vem o H de "história": quando todas as palavras dodicionário ficam à disposição de quem quiser contar qualquer coisa que tenha acontecido ou sido inventada.
O I de "idade", aquilo que você tem certeza que vai ganhar de aniversário, queira ou não queira.
J de "janela!, por onde entra tudo que é lá fora e de "jasmim", que tem a sorte de ser flor e ainda tem a graça de se chamar assim.
L de "lá", onde a gente fica pensando se está melhor ou pior do que aqui; de "lágrima", sumo que sai pelos olhos quando se espreme o coração, e de "loucura", coisa que quem não tem só pode ser completamente louco.
M de "madrugada", quando vivem os sonhos...
N de "noiva", moça que geralmente usa branco por fora e vermelho por dentro.

O de "óbvio", não precisa explicar...
P de "pecado", algo que os homens inventaram e então inventaram que foi Deus que inventou.
Q, tudo que tem um não sei quê de não sei quê.
E R, de "rebolar", o que se tem que fazer pra chegar lá.
S é de "sagrado", tudo o que combina com uma cantata de Bach; de"segredo", aquilo que você está louco pra contar; de "sexo": quando o beijo é maior que a boca.
T é de "talvez", resposta pior que ´não`, uma vez que ainda deixa, meio bamba, uma esperança... de "tanto", um muito que até ficou tonto... de "testemunha": quem por sorte ou por azar, estava em algum lugar.
U de "ui", um ài" que ainda é arrepio; de "último", que anuncia o começo de outra coisa; e de "único": tudo que, pela facilidade de virar nenhum, pede cuidado.
Vem o V, de "vazio", um termo injusto com a palavra nada; de"volúvel", uma pessoa que ora quer o que quer, ora quer o que querem que ela queira.
E chegamos ao X, uma incógnita... X de "xingamento", que é uma palavra ou frase destinada a acabar com a alegria de alguém; e de "xô", única palavra do dicionário das aves traduzida para o português.
Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foiusada pelo Zorro... Z de "zaga", algo que serve para o goleiro não se sentir o único culpado; de "zebra", quando você esperava liso e veio listrado; e de "zíper", fecho que precisa de um bom motivo pra ser aberto; e de "zureta", que é como fica a cabeça da gente ao final de um dicionário inteiro.




Pedro Bial

domingo, 1 de maio de 2011

Respostas precisas



Quem é você?

Do que você gosta?

Em que acredita?

O que deseja?
Dia e noite somos questionados e as respostas costumam ser inteligentes, espirituosas e decentes.Tudo para causar a melhor impressão aos nossos inquisidores.

Ora, quem sou eu!

Sou do bem, sou honesto, sou perseverante, sou bem-humorado, sou aberto – não costumamos economizar atributos quando se trata da nossa própria descrição.

Do que gostamos?

De coisas belas.

No que acreditamos?

Em dias melhores.

O que desejamos?

A Paz Universal.
Enquanto isso, o demônio dento de nós, revira o estômago e faz cara de nojo.

É muita santidade para um pobre-diabo, ninguém e tão imaculado assim!


A despeito do nosso inegável talento como divulgadores de nós mesmos e da nossa falta de modéstia ao descrever nosso perfil no Orkut, a verdade é que o que dizemos, não tem tanta importância.

Para saber quem somos, baste que se observe o que fizemos da nossa vida.



Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam.


O que você diz – com todo respeito – é apenas o que você diz!


Quantos amigos você manteve?
Em que consiste sua trajetória amorosa?
Como educou seus filhos?
Quanto houve de alegria no seu cotidiano?
Se ficou devendo dinheiro.
Como lidou com tentativas de corrupção?
Em que circunstâncias mentiu?
Como tratou empregados, balconistas, porteiros, garçons?

Que impressão causou nos outros – não naqueles que o conheceram por cinco dias, mas com quem conviveu por vinte anos, ou mais?
Quantas pessoas magoou na vida?
Quantas vezes pediu perdão?
Quem vai sentir sua falta?
Pra valer! Vamos lá!

Podemos maquiar algumas respostas ou podemos silenciar sobre o que não queremos que venha à tona.
Inútil.

A soma dos nossos dias assinará este inventário. Fará um levantamento honesto.


Cazuza já nos cutucava: "… suas idéias correspondem aos fatos?"


De novo: o que a gente diz, é apenas o que a gente diz.


Lá no finalzinho da vida que construímos é que se revelará o mais eficiente detector de mentiras.


Entre a data do nosso nascimento e a desconhecida data da nossa morte, acreditamos ainda estar no meio do percurso, então seguimos nos anunciando como bons partidos, incrementamos nossas façanhas, abusamos da retórica como se ela fosse uma espécie de photoshop que pudesse sumir com nossos defeitos.

Mas é na reta final que nosso passado nos calará e responderá por nós.



Martha Medeiros

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Jeito de ser



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.



É um dom que vaimuito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.



É uma elegância desobrigada.



É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.



Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe dafofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.



É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.



É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.



É elegante não ficar espaçoso demais.



É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.



É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.



É elegante retribuir carinho e solidariedade.



Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.



Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.



Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.



A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que com amigo não tem que ter estas frescuras. Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.




Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.





Martha Medeiros