sexta-feira, 29 de abril de 2011

Jeito de ser



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.



É um dom que vaimuito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.



É uma elegância desobrigada.



É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.



Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe dafofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.



É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.



É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.



É elegante não ficar espaçoso demais.



É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.



É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.



É elegante retribuir carinho e solidariedade.



Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.



Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.



Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.



A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que com amigo não tem que ter estas frescuras. Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.




Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.





Martha Medeiros

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