
Por Mariza Matheus
Um dia uma paciente me contou: "Doutora, escrevo meus desabafos em uma folha branca onde as linhas são as únicas que me escutam". Que sensibilidade que esta paciente tem! Que grandeza de se expressar de uma forma poética para uma pessoa que nem terminou o primeiro grau. Como há sábios anônimos em uma sociedade que prioriza o materialismo. Ganhei o meu dia ao atendê-la e ter a surpresa de confrontar com a riqueza de um ser humano especial.
Um dia uma amiga me contou: "Calma Mariza, calma". Além tantos outros conselhos sábios que recebo como um presente, a palavra "calma" sempre me põe em contato com sua sabedoria. Resisto no começo. Reflito no instante. Aprendo e reconheço que há uma longa estrada a ser percorrida. Obriga minha admirável amiga.
Um dia meu avô me contou: "Minha filha, o homem precisa valorizar mais a mulher do que você amá-lo incondicionalmente". Meu querido avô. Como eu o amo e admiro na mesma intensidade. Desculpe por não colocar suas palavras em prática, pois ainda me pego no erro de viver no impulso das minhas emoções imaturas. Mas não se preocupe, pois sei que com o tempo esse fruto verde irá amadurecer.
Um dia meu gatinho me contou: "Miau". São nos momentos mais solitários que me sinto mais aquecida por este felpudo animal. Amor incondicional de um machinho sem interesses (com exceção da ração!).
Um dia a vida me contou: "Não sonhe, viva o presente! Não sofra, aproveite cada segundo!". Cara vida minha. Sei que em algum momento deixarei de usar meus sonhos como fuga, mas sim como metas. O presente provavelmente irá me presentear, e o sofrimento irá me acrescentar. Quem sabe me tornarei uma pessoa mais sábia, sem a angústia da lapidação de um inconsciente imaturo?
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