
No dia 01 de setembro, tive o meu primeiro contato com a clínica psiquiátrica. Foi a primeira vez que pude me colocar diante daquelas pessoas que buscam a cura...Que buscam alguém que possam ouví-las e fazer algo por elas. Pude me propor a ter a sensibilidade de me colocar no lugar do outro, de praticar a empatia...Sentimento que pouco temos tido nos dias de hoje...
Ouvi histórias e presenciei angústias...Estas que me chocavam profundamente...Que me fazia a cada minuto me chamar de volta para o meu lugar, o de uma estagiária de Psicologia...Não posso me dar ao luxo de viver o sofrimento dos pacientes..Se não, é impossível exercer o meu papel...Devo saber separar o que é meu e o que é do outro...O que é do meu alcance e aquilo que não posso contribuir...Devo, no momento em que estou com os pacientes, dar ao máximo de mim...Da minha atenção, da minha compreensão e do meu conhecimento...Mas ao sair do consultório, tenho que ter a força de deixar tudo ali...Tudo o que ouvi e tudo o que os pacientes me fizeram sentir...
Hoje, 30 de setembro, tive a oportunidade de estar naquele lugar pela segunda vez...Hoje, menos perdida e mais certa do que eu iria encontrar, e de como eu deveria tentar me comportar diante das histórias e patologias que iria encontrar...
Foi difícil segurar as minhas lágrimas, quando uma senhora começou a contar a sua história e ao tocar no nome do filho falecido, a sua emoção veio a tona...Ela já não conseguia falar direito...Ia se perdendo em idéias e pensamentos...Tive que me conter...A vontade que eu tinha era de poder arrancar com as mão aquele sofrimento sabe? Tirar do coração daquela senhora todo o sentimento de tristeza, de incoformidade, etc., mesmo sabendo que este é um luto que ela deve elaborar sozinha, com o tempo...Logo que terminou a consulta, olhei para a minha professora, que é a Psiquiatra que está nos coordenando no estágio e ela disse: "Não chora hein? Você não pode chorar!"
Mais uma vez me sinto apaixonada com o que escolhi para a minha vida, a Psicologia...Não tem explicação e nem dinheiro que pague o olhar de uma senhora que olha pra nós e diz que agradece todos os dias a Deus por colocar estes profissionais na vida dela. Não tem palavra que descreva isto...
Luciana Aguiar
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